AS LOUCURAS FEMININAS
Márcia Souza Gomes Antunes Sobreira
Corpo Freudiano do Rio de Janeiro
"... Em deslumbramento, no Aurélio temos ofuscação da vista por muita luz; fascinação, encanto, maravilha. Vem do verbo deslumbrar que quer dizer causar assombro em, maravilhar, seduzir, perturbar o entendimento de, fascinar. Já devastação seria uma destruição vandálica, ruína, proveniente de grande desgraça, assombração. Devastar quer dizer tornar deserto, destruir, assolar, danificar.
Para a mulher, seu modo de gozar exige que seu parceiro fale e que a ame. Para ela o amor é tecido no gozo e é preciso que o parceiro seja, aquele ao qual falta alguma coisa, e que esta falta faça falar, lhe faça falar. Para o homem o gozo tem sempre algo de limitado, de circunscrito, de localizado e contabilizável. Para a mulher há uma ilimitação do gozo. A demanda de amor desempenha, na sexualidade feminina, um papel incomparável ao do homem. A demanda de amor comporta, em si mesma, um caráter absoluto, e uma visada ao infinito. É uma demanda que incide sobre o ser do parceiro, e é isto que desnuda sua forma erotomaníaca – que o Outro me ame: todas as mulheres são loucas, porque elas têm por parceiro o , que está por detrás delas..."
"... Jacques Alain-Miller aponta em seu livro “O osso de uma análise”, que para amar é preciso falar: o amor é inconcebível sem a palavra, justamente porque amar é dar o que não se tem, e só pode dar o que não se tem falando, porque falando damos nossa falta a ser. Para gozar, segundo ele é preciso amar: falar, amar, gozar. Nesta ordem. O homem pode gozar sem palavras e sem amor, segundo ele. Mas acrescenta: isto é um pequeno coto de gozo. O resultado é que o homem é sempre um “bruto” e a mulher sempre uma chata: “você me ama?” ela pergunta. Não pode deixar de perscrutar o amor do outro, porque ela goza por amor. O que conta é que ele lhe fale. E a gente percebe, escutando mulheres em análise, até que ponto elas estão apaixonadamente ocupadas com o que se diz delas, e especialmente com o que diz dela o homem que a ama. É assim, que tal análise é ritmada pelas falas do parceiro, que não são nunca aquilo que elas gostariam de ouvir..."
http://www.congressodeconvergencia.com/As%20loucuras%20femininas-PORTUGUES%20.htm
Márcia Souza Gomes Antunes Sobreira
Corpo Freudiano do Rio de Janeiro
"... Em deslumbramento, no Aurélio temos ofuscação da vista por muita luz; fascinação, encanto, maravilha. Vem do verbo deslumbrar que quer dizer causar assombro em, maravilhar, seduzir, perturbar o entendimento de, fascinar. Já devastação seria uma destruição vandálica, ruína, proveniente de grande desgraça, assombração. Devastar quer dizer tornar deserto, destruir, assolar, danificar.
Para a mulher, seu modo de gozar exige que seu parceiro fale e que a ame. Para ela o amor é tecido no gozo e é preciso que o parceiro seja, aquele ao qual falta alguma coisa, e que esta falta faça falar, lhe faça falar. Para o homem o gozo tem sempre algo de limitado, de circunscrito, de localizado e contabilizável. Para a mulher há uma ilimitação do gozo. A demanda de amor desempenha, na sexualidade feminina, um papel incomparável ao do homem. A demanda de amor comporta, em si mesma, um caráter absoluto, e uma visada ao infinito. É uma demanda que incide sobre o ser do parceiro, e é isto que desnuda sua forma erotomaníaca – que o Outro me ame: todas as mulheres são loucas, porque elas têm por parceiro o , que está por detrás delas..."
"... Jacques Alain-Miller aponta em seu livro “O osso de uma análise”, que para amar é preciso falar: o amor é inconcebível sem a palavra, justamente porque amar é dar o que não se tem, e só pode dar o que não se tem falando, porque falando damos nossa falta a ser. Para gozar, segundo ele é preciso amar: falar, amar, gozar. Nesta ordem. O homem pode gozar sem palavras e sem amor, segundo ele. Mas acrescenta: isto é um pequeno coto de gozo. O resultado é que o homem é sempre um “bruto” e a mulher sempre uma chata: “você me ama?” ela pergunta. Não pode deixar de perscrutar o amor do outro, porque ela goza por amor. O que conta é que ele lhe fale. E a gente percebe, escutando mulheres em análise, até que ponto elas estão apaixonadamente ocupadas com o que se diz delas, e especialmente com o que diz dela o homem que a ama. É assim, que tal análise é ritmada pelas falas do parceiro, que não são nunca aquilo que elas gostariam de ouvir..."
http://www.congressodeconvergencia.com/As%20loucuras%20femininas-PORTUGUES%20.htm


